Raimundo Gaby

Raimundo Gaby

Acho que fotografo o que e quem somos. Minhas experiências moldaram quem eu sou e como eu vejo as coisas. A fotografia ajuda a me conectar com minha espiritualidade e fortalece a minha relação com a natureza. Através das longas caminhadas, eu perco a noção do tempo. A fotografia me ajuda a valorizar a beleza do nosso mundo em seu grande cenário, e também nas suas coisas menores e mais triviais (ergo o meu amor por macrofotografia). A fotografia também me leva a refletir sobre o relacionamento entre o homem e a natureza, e minha própria jornada: Qual é o meu potencial totalmente desenvolvido? Como faço para desenvolvê-lo? Como faço para canalizar minha energia de vida positiva e minha criatividade no sentido de fazer a diferença em outras vidas? Como faço para resolver minha compaixão para com os outros, com ações mais significativas? Qual é a minha verdadeira responsabilidade para com as questões que eu encontro em torno de mim? Qual é o meu compromisso para com as desigualdades sociais e as discriminações que eu vejo? São minhas prioridades de vida verdadeiramente relevantes? Será que estou honrando minha herança? Essas são algumas reflexões que faço nos meus períodos de intensa necessidade de introspecção.


Eu não poderia me descrever como tendo um estilo fotográfico específico. Passei a maior parte dos meus anos de fotografia com foco na natureza e macrofotografia,  no entanto, estou aberto a novas viagens. Estou longe de ser um purista. Minhas fotos são manipuladas para coincidir com a minha visão. Portanto, acho que eu poderia ser considerado um  fotógrafo “Fine Art”. Uso muitos softwares para ajudar no processamento das fotos: Lightroom, CC, NIK, Topázio, entre outros. Sou inspirado e influenciado por muitos fotógrafos, mas a minha maior admiração é para fotojornalistas: Sebastiao Salgado, Steve McCurry, James Nachtwey, Brent Stirton, entre outros. Sou movido pela sua coragem. Eles contam histórias que devem ser contadas, realidades de documentos que precisam ser gravadas e sou grato por sua generosidade e ferocidade incomparável. Eles optam constantemente por ir a lugares onde a maioria das pessoas não se atreveria, colocam suas vidas em risco a fim de capturar a essência das histórias e cumprir suas responsabilidades - o que é para evocar uma emoção - e anseiam esperançosamente  que brilhe a centelha de uma reação que  contribua para a melhoria da sociedade. Enquanto eu vejo o trabalho dos fotojornalistas sinto-me à vontade para  reconectar-me com a minha herança. Vejo-me, em um futuro próximo, voltando para a Amazônia e fotografando a realidade do meu povo.


Adoro fotografia por muitas razões. Ela pode elevar nossa consciência por nos levar a ver as coisas de uma forma diferente, por nos fazer prestar atenção. As imagens são poderosas. Seu poder reside no fato de terem o potencial de nos transportar para lugares não antes visitados. A fotografia nos permite, também, sonhar. Nos transporta para mundos além do nosso. Uma coisa que ressoa alto de minhas reflexões é que existem várias verdades em cada imagem, no entanto, elas contam, no fim, uma única história:  a história da humanidade, sua complexidade e esplendor.